segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Oi Pessoal. Quanto tempo !!! Muitos têm achado que meu sumiço foi resultado de umas férias no pós processo eleitoral. Confesso que nunca me envolvi tanto e nunca houve uma eleição que me deixasse tão  irritado com tanta coisa absurda que andou acontecendo, notadamente o papel espúrio da mídia nacional. Continuo, inclusive, muito preocupado com isso.
Todavia, passei por um processo de finalização e defesa de tese de doutorado que me tomou muito tempo. Com a tese defendida e a guerra da eleição finda, pretendo retomar as atividades no Blog. Na verdade o objetivo deste Blog não é puramente político, o é também, mas minha idéia continua sendo difundir coisas bacanas como textos, vídeos e reportagens interessantes de minha autoria ou não. Ando pensando em um tema para escrever, ainda no âmbito do que percebo diariamente de minhas leituras da mídia nacional. Vou amadurecer a idéia. No momento deixo vocês com um texto do Miguel Nicolelis, grande neurocientista brasileiro, sobre a ciência nacional e o salto que precisamos dar no investimento em educação e ciência & tecnologia no nosso país.
Este texto foi publicado originalmente no Blog do Azenha: www.viomundo.com.br

Manifesto da Ciência Tropical: um novo paradigma para o uso democrático da ciência como agente efetivo de transformação social e econômica no Brasil
por Miguel Nicolelis

É hora da ciência brasileira assumir definitivamente um compromisso mais central perante toda a sociedade e oferecer o seu poder criativo e capacidade de inovação para erradicar a miséria, revolucionar a educação e construir uma sociedade justa e verdadeiramente inclusiva.
É hora de agarrar com todas as forças a oportunidade de contribuir para a construção da nação que sonhamos um dia ter, mas que por muitas décadas pareceu escapar pelos vãos dos nossos dedos.
É hora de aproveitar este momento histórico e transformar o Brasil, por meio da prática cotidiana do sonho, da democracia e da criação científica, num exemplo de nação e sociedade, capaz de prover a felicidade de todos os seus cidadãos e contribuir para o futuro da humanidade.
No intuito de contribuir para o início desse processo de libertação da energia potencial de criação e inovação acumulada há séculos no capital humano do genoma brasileiro, eu gostaria de propor 15 metas centrais para a capacitação do Programa Brasileiro de Ciência Tropical.
A implementação delas nos permitirá acelerar exponencialmente o processo de inclusão social e crescimento econômico, que culminará, na próxima década, com o banimento da miséria, a maior revolução educacional e ambiental da nossa história e a decolagem irrevogável e irrestrita da indústria brasileira do conhecimento.
Estas 15 metas visam a desencadear a massificação e a democratização dos meios e mecanismos de geração, disseminação, consumo e comercialização de conhecimento de ponta por todo o Brasil.
1) Massificação da educação científica infanto-juvenil por todo o território nacional
O objetivo é proporcionar a 1 milhão de crianças, nos próximos 4 anos,  acesso a um programa de educação científica pública, protagonista e cidadã de alto nível. Esse programa utilizará o método científico como ferramenta pedagógica essencial, combinando a filosofia de vida de dois grandes brasileiros: Paulo Freire e Alberto Santos-Dumont.
Ao unir a educação como forma de alcançar a cidadania plena com a visão de que ciência se aprende e se faz “pondo a mão na massa”, sugiro a criação do Programa Educação para Toda a Vida, do qual faria parte o Programa Nacional de Educação Científica Alberto Santos -Dumont (veja abaixo). A porta de entrada se daria nos serviços de pré-natal para as mães dos futuros alunos do programa. Após o nascimento, essas crianças seriam atendidas no berçário e na creche, depois na escola de educação científica que os serviria dos 4-17 anos, para que esses brasileiros e brasileiras possam desenvolver toda a sua potencialidade intelectual e criativa nas duas próximas décadas de suas vidas.
O programa de educação científica seria implementado no turno oposto ao da escola pública regular, criando um regime de educação em tempo integral para crianças de 4-17 anos, por meio de parceria do governo federal com governos estaduais e municipais. Cada unidade da rede de universidades federais poderia ser responsável pela gestão de um núcleo do Programa Educação para Toda Vida, voltado para a população do entorno de cada campus.
O governo federal poderia ainda incentivar a participação da iniciativa privada, oferecendo estímulos fiscais e tributários para as empresas que estabelecessem unidades de educação científica infanto-juvenil, ao longo do território nacional. Por exemplo, o novo centro de pesquisas da Petrobras poderia criar uma das maiores unidades do Educação para Toda Vida.
2) Criação de centros nacionais de formação de professores de Ciência
A implementação do Programa Educação para Toda Vida geraria uma demanda inédita para professores especializados no ensino de ciência e tecnologia. Para supri-la, o governo federal poderia estabelecer o Programa Nacional de Educação Científica Alberto Santos -Dumont, que seria o responsável pela gestão dos centros nacionais de formação de professores de ciências, espalhados por todo território nacional. As universidades federais, os Institutos Federais de Tecnologia (antigos CEFETs) e uma futura cadeia de Institutos Brasileiros de Tecnologia (veja abaixo) poderiam estabelecer programas de formação de professores de ciências e tecnologia em todo o país.
Esses novos programas capacitariam uma nova geração de professores a ensinar conceitos fundamentais da ciência, através de aulas práticas em laboratórios especializados, tecnologia da informação e utilização de métodos, processos e novas ferramentas para investigação científica. Os alunos que se graduassem no programa Educação para Toda Vida teriam capacitação, antes mesmo do ingresso na universidade, para se integrar ao trabalho de laboratórios de pesquisa profissionais, tanto públicos como privados, através do Programa Nacional de Iniciação Científica e do Bolsa Ciência (veja abaixo).
3) Criação da carreira de pesquisador científico em tempo integral nas universidades federais
Seria em paralelo à tradicional carreira de docente. Ela nos permitiria recrutar uma nova geração de cientistas que se dedicaria exclusivamente à pesquisa científica, com carga horária de aulas correspondente a 10% do seu esforço total. Sem essa mudança não há como esperar que pesquisadores das universidades federais possam dar o salto científico qualitativo necessário para o desenvolvimento da ciência de ponta do país.
4) Criação de 16 Institutos Brasileiros de Tecnologia espalhados pelo país
Eles serviriam para suprir a demanda de engenheiros, tecnólogos e cientistas de alto nível e promover a inclusão social por meio do desenvolvimento da indústria brasileira do conhecimento. Atualmente o Brasil apresenta um déficit imenso desses profissionais.
Para sanar essa situação, o Brasil poderia reproduzir o modelo criado pela Índia, que, desde a década de 1950, construiu uma das melhores redes de formação de engenheiros e cientistas do mundo, constituída pela cadeia de Institutos Indianos de Tecnologia.
Para tanto, o governo federal deveria criar nos próximos oito anos uma rede de 16 Institutos Brasileiros de Tecnologia (IBT) e espalhá-los em bolsões de miséria do território nacional, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Cada IBT poderia admitir até 5.000 alunos por ano.
5) Criação de 16 Cidades da Ciência
Localizadas nas regiões com baixo índice de desenvolvimento humano, como o Vale do Ribeira, Jequitinhonha, interior do Nordeste, Amazônia, as Cidades da Ciência ficariam no entorno dos novos IBTs.
As Cidades da Ciência seriam, na prática, o componente final da nova cadeia de produção do conhecimento de ponta no Brasil. Acopladas aos novos IBTs e à rede de universidades federais, criariam o ambiente necessário para a transformação do conhecimento de ponta, gerado por cientistas brasileiros, em tecnologias e produtos de alto valor agregado que dariam sustentação à indústria brasileira do conhecimento.
Nas Cidades da Ciência seriam criadas e estabelecidas as grandes empresas do conhecimento nacional, onde o potencial científico do povo brasileiro poderia se transformar em novas fontes de riqueza a serem aplicadas na gênese de um sistema nacional autossustentável. Tal iniciativa permitiria a inserção do Brasil na era da economia do conhecimento que dominará o século XXI.
6) Criação de um arco contínuo de Unidades de Conservação e Pesquisa da Biosfera da Amazônia
Esse verdadeiro cinturão de defesa, formado por um arco contínuo de Unidades de Conservação e Pesquisa da Biosfera da Amazônia, seria disposto em paralelo ao chamado “Arco de Fogo”, formado em decorrência do agronegócio predatório e da indústria madeireira ilegal, responsáveis pelo desmatamento da região. Essa iniciativa visa a fincar uma linha de defesa permanente contra o avanço do desmatamento ilegal, modificando a estratégia das unidades de conservação a fim de colocá-las a serviço de um Programa Nacional de Mapeamento dos Biomas Brasileiros.
Uma série de unidades de conservação poderia ser transformada em unidades híbridas. Assim, além da conservação, poderiam incluir grandes projetos de pesquisa que possibilitem ao Brasil mapear a riqueza e a magnitude dos serviços ecológicos e climáticos encontrados nos diversos biomas nacionais.
Para incentivar a participação de populações autóctones nesse esforço, o governo federal poderia criar o programa Bolsa Ciência Cidadã. Homens, mulheres e adolescentes, que vivem na floresta amazônica e conhecem seus segredos melhor do que qualquer professor doutor, receberiam uma bolsa, similar ao bolsa família, para integrarem as equipes de pesquisadores e responsáveis pela implementação das leis ambientais na região. Esse exército de cidadãos, devotado à investigação científica e à proteção da Amazônia, mostraria ao mundo o quão determinado o Brasil está em preservar uma das maiores maravilhas biológicas do planeta.
Evidentemente tal iniciativa poderia ser replicada em outras áreas críticas, também ameaçadas pela indústria predatória, como o Pantanal, a caatinga, o cerrado, a Mata Atlântica e os Pampas.
7) Criação de oito “Cidades Marítimas” ao longo da costa brasileira
A descoberta do pré-sal demonstra claramente que uma das maiores fontes potenciais de riqueza futura da sociedade brasileira reside no vasto e diverso bioma marítimo da nossa costa.
Apesar disso, os esforços nacionais para estudo científico desse vasto ambiente são muito incipientes. Aqui também o Brasil pode inovar de forma revolucionária. Em parceria com a Petrobras, o governo federal poderia estabelecer, no limite das 350 milhas marinhas, oito plataformas voltadas para a pesquisa oceanográfica e climática, visando ao mapeamento das riquezas no mar tropical brasileiro.
Essas verdadeiras “Cidades Marítimas”, dispostas a cada mil quilômetros da costa brasileira, seriam interligadas por serviço de transporte marítimo e aéreo (helicópteros) e se valeriam de incentivos à renascente indústria naval brasileira, para o desenvolvimento, por exemplo, de veículos de exploração a grandes profundidades.
Cada “Cidade Marítima” seria autossuficiente, contando com laboratórios, equipamentos e equipe própria de pesquisadores. Tais edificações serviriam também como postos mais avançados de observação dos limites marítimos do Brasil. Com o crescente desenvolvimento da exploração do pré-sal, essa rede de “Cidades Marítimas” poderia assumir papel fundamental na defesa da nossa soberania marítima dentro das águas territoriais.
8) Retomada e Expansão do Programa Espacial Brasileiro
Embora subestimado pela sociedade e a mídia brasileiras, o fortalecimento do programa espacial brasileiro oferece outro exemplo emblemático de como o futuro do desenvolvimento científico no Brasil é questão de soberania nacional.
Dos países pertencentes ao BRIC, o Brasil é o que possui o mais tímido e subdesenvolvido programa espacial. Apesar da sua situação geográfica altamente favorável, a Base de Alcântara não tem correspondido às altas expectativas geradas com a sua construção.
Essa situação é inaceitável, uma vez que, a longo prazo, pode levar o Brasil a uma dependência irreversível no que tange a novas tecnologias e novas formas de comunicação, colocando a nossa soberania em risco. Dessa forma, urge reativar os investimentos nessa área vital, definir novas e ambiciosas metas para o programa espacial brasileiro e esclarecer o papel da sociedade civil na operação dos programas da Base de Alcântara, cujo controle deveria estar nas mãos de uma equipe civil de pesquisadores e não das forças armadas.
9) Criação de um Programa Nacional de Iniciação Científica
Com a criação do Programa Educação para Toda Vida, seria necessário implementar novas ferramentas para que os adolescentes egressos desses programas pudessem dar vazão a seus anseios de criação, invenção e inovação através da continuidade do processo de educação científica, mesmo antes do ingresso na universidade e depois dele.
Na realidade, é extremamente factível que grande número desses jovens possa começar a contribuir efetivamente para o processo de geração de conhecimento de ponta antes do ingresso na universidade.
O governo federal poderia criar um Programa Nacional de Iniciação Científica que leve ao estabelecimento de 1 milhão de Bolsas Ciência. Uma experiência preliminar desse programa já existe no CNPQ, através do recém-criado programa dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. Bastaria ampliá-lo e remover certas amarras burocráticas que dificultam a sua implementação neste momento. Esse programa poderia também ser usado pelo governo federal para eliminar uma porcentagem significativa (30%) da evasão do ensino médio, decorrente da necessidade dos alunos em contribuir para a renda familiar.
Jovens de talento científico reconhecido deveriam também ter a opção de seguir carreira de inventor ou pesquisador sem necessitar de doutorado ou outro curso de pós-graduação. Tal alternativa contribuiria decisivamente para a diminuição do período de treinamento necessário para que talentos científicos pudessem participar efetivamente do desenvolvimento científico do Brasil.
10) Investimento de 4-5% do PIB em ações de ciência e tecnologia na próxima década
Tendo proposto novas ações, é fundamental que essas sejam devidamente financiadas. Para tanto e, ainda, para assegurar a ascensão da ciência brasileira aos patamares de excelência dos países líderes mundiais, o governo brasileiro teria de tomar a decisão estratégica de destinar, nas próximas décadas, algo em torno de 4-5% do PIB nacional à ciência e tecnologia.
Em vários países, como os EUA, essa conta é dividida em partes iguais entre o poder público e privado. No Brasil, todavia, não existem condições para que isso ocorra de imediato. Dessa forma, não restaria outra alternativa ao governo federal senão assumir a responsabilidade desse investimento estratégico, usando novas fontes de receita, como a gerada pela exploração do pré-sal.
11) Reorganização das agências federais de fomento à pesquisa
Reformulação de normas de procedimento e processo para agilizar a distribuição eficiente de recursos ao pesquisador e empreendedor científico, bem como criar um novo modelo de gestão e prestação de contas.
A ciência e o cientista brasileiro não podem mais ser regidos pelas mesmas normas de 30-40 anos atrás, utilizadas na prestação de contas de recursos públicos para construção de rodovias e hidrelétricas.
Urge, portanto, reformular completamente todos os protocolos de cooperação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) com outros ministérios estratégicos para execução de projetos multiministeriais.
Na lista de cooperação estratégica do MCT, incluem-se os ministérios da Educação, Saúde, Meio Ambiente, Minas e Energia, Indústria e Comércio, Agricultura, Defesa e Relações Exteriores. Normas comuns de operação dos departamentos jurídicos e dos processos de prestação de contas devem ser produzidas entre o MCT e esses ministérios, de sorte a incentivar a realização de projetos estratégicos interministerais, como o Educação para Toda Vida.
O cenário atual cria inúmeros empecilhos para ratificação de projetos estratégicos aprovados no mérito científico (o principal quesito), mas que, via de regra, passam meses e até anos prisioneiros dos desconhecidos meandros e procedimentos conflitantes com que operam os diferentes departamentos jurídicos dos diferentes ministérios.
Urge eliminar tal barreira kafkaniana e transferir o poder de decisão, atualmente nas catacumbas jurídicas dos ministérios onde volta e meia processos desaparecem, para as mãos dos gestores de ciência treinados para implementar uma visão estratégica do projeto nacional de ciência e tecnologia.
12) Criação de joint ventures para produção de insumos e materiais de consumo para prática científica dentro do Brasil
É’ fundamental investir numa redução verdadeira dos trâmites burocráticos “medievais” que ainda existem para aquisição de materiais de consumo e equipamentos de pesquisa importados. Para tanto, é importante definir políticas de incentivo ao estabelecimento de empresas nacionais dispostas a suprir o mercado nacional com insumos e equipamentos científicos.
13) Criação do Banco do Cérebro
Um dos maiores gargalos para o crescimento da área de ciência e tecnologia no Brasil é a dificuldade que cientistas e empreendedores científicos enfrentam para ter acesso ao capital necessário para desenvolver novas empresas baseadas na sua propriedade intelectual.
Na maioria das vezes, esses inventores e microempreendedores científicos ficam à mercê da ação de venture capitalists, que oferecem capital em troca de boa parte do controle acionário da empresa em que desejam investir.
Para reverter esse cenário, o governo federal poderia criar o Banco do Cérebro, uma instituição financeira destinada a implementar vários mecanismos financeiros para fomento do empreendedorismo científico nacional.
Essas ferramentas financeiras incluiriam desde programa de microcrédito científico até formas de financiamento de novas empresas nacionais voltadas para produtos de alto valor agregado, fundamentais ao desenvolvimento da ciência brasileira e da economia do conhecimento.
Para isso, o governo federal deverá exigir que esses novos empreendimentos científicos sejam localizados numa das novas Cidades da Ciência. Joint ventures entre empreendedores brasileiros e estrangeiros também deverão ser estimuladas pelo Banco do Cérebro, seguindo o mesmo critério social.
14) Ampliação e incentivo a bolsas de doutorado e pós-doutorado dentro e fora do Brasil
À primeira vista pode parecer contraditório propor metas para o desenvolvimento da Ciência Tropical e, ao mesmo tempo, reivindicar aumento significativo de bolsas de doutorado e pós-doutorado para alunos brasileiros no exterior.
Novamente, a proposta da Ciência Tropical é, antes de tudo, um nova proposta para o desenvolvimento de excelência na prática da pesquisa e educação científica. Dessa forma, ela tem de incentivar todas as formas que permitam aos melhores e mais promissores cientistas brasileiros complementarem sua formação fora do território nacional.
Como bem disse a presidente-eleita Dilma Rousseff durante a campanha: “ O Brasil precisa de seus cientistas porque eles iluminam o nosso país”.
Pois que os futuros jovens cientistas brasileiros tenham a oportunidade de se transformar em genuínos embaixadores da ciência brasileira e complementar seus estudos em universidades e institutos de pesquisa estrangeiros, líderes em suas respectivas áreas.
Esse processo de intercâmbio e “oxigenação” de idéias é essencial à prática da ciência de alto nível. Mesmo os cientistas brasileiros que optarem por ficar no exterior depois desse e treinamento poderão trazer dividendos fundamentais para o desenvolvimento da Ciência Tropical.
15) Recrutamento de pesquisadores e professores estrangeiros dispostos a se radicar no Brasil
Com a crise financeira, verdadeiros exércitos de cientistas americanos e europeus estarão procurando novas posições nos próximos anos. Cabe ao Brasil tirar vantagem dessa situação e passar a ser um importador de cérebros e não um exportador de talentos.
Historicamente, a academia brasileira tem inúmeros exemplos excepcionais de pesquisadores estrangeiros de alto nível que alavancaram grandes avanços científicos no Brasil. O Programa Brasileiro de Ciência Tropical só teria a ganhar com uma política mais abrangente, audaciosa e sistêmica de importação de talentos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A DIREITONA, A RELIGIÃO, A DESINFORMAÇÃO DAS ELITES E O SONO DA RAZÃO.

Fico às vezes atônito vendo as pessoas se mobilizarem sem que sequer saibam o que está por detrás do jogo político. Movimentam-se, calam-se, ou se insurgem como eu e vários outros e, na maioria das vezes, não acertam o alvo. Nem o tangenciam. Já escrevi um texto falando sobre nosso histórico de Golpes de Estado, nossa vida política é uma sucessão deles. Entretanto, percebo que de repente ficou absolutamente anacrônico e obsoleto falar em Golpe de Estado. A moda iniciada em 1989 e que volta com força total agora é o Golpe de Mídia.
Sim estamos bem no meio do olho do furacão de mais um golpe de mídia. Uma coisa que não sai da minha cabeça e também da de Marilena Chauí é: como pode um governo ter 80% de aprovação e ser considerado o pior governo da história por VEJA – FOLHA – ESTADAO e GLOBO ? Que descompasso é esse entre a realidade que mostra a ascensão de classes, o aumento da classe média, o aumento do salário mínimo, a triplicação de empregos e a avaliação dos grandes canais de mídia que ignoram a realidade e reduz tudo ao pó. Leio muito a imprensa estrangeira, notadamente a francesa e a americana e elas têm uma avaliação diametralmente oposta à da mídia nacional, ou seja, reflete a opinião pública real, a realidade. Sim brasileiros. Querem se informar? Aprendam uns dois ou três idiomas e partam para os sites e canais de mídia internacionais. A seguir os daqui é melhor providenciar um copinho de cicuta.
Por quê? Porque diabos os Clãs de Nossa Mídia Golpista insistem nisso? Simples. Para derrubar o governo. Por quê? Bom, não é tão simples, mas também não é nada que dois neurônios de classe média não consigam entender. Vamos então tentar clarear um pouquinho essa névoa na qual só impera a desinformação.
Nenhum país sério e que se diz verdadeiramente democrático, possui uma mídia “formadora” de opinião que é reunida em três famílias como ocorre aqui no Brasil. O que está por trás de tanto alarde e de tanto desespero de Globo, Folha e Veja é que implemente-se aqui mecanismos de controle de imprensa como nos moldes de democracias maduras como as da França que nem por isso se tornou uma ditadura sanguinária e terrível, muito pelo contrário. Tão logo se falar em controle responsável de imprensa a Globo gritará: Ditadura !!! E um monte de carneirinhos irá correndo atrás e podem até re-editar os cara-pintadas. O tragicômico rebanho do plin-plin. O atual Ministro das Comunicações, Franklin Martins, esteve dando uma andada pela Europa para conhecer melhor como as coisas são feitas por lá. E por lá não tem essa palhaçada que vemos aqui. Por lá as pessoas não são massa de manobra. Por lá não se permite que 3 (três) famílias controlem a opinião publica e elejam quem elas queiram. Será que deu para fazer a ponte do porque que a Imprensa Golpista apóia o Serra ou vai ter que dar uma desenferrujada? É. Tempos difíceis para o exercício da razão.
Nossa mídia desinforma absolutamente e levianamente as pessoas. Fico assustado de ver, ao meu redor, várias pessoas estudadas se entregarem às menores e mais simplórias estratégias de manipulação. Nossa mídia não informa, por exemplo, que em 1964 tínhamos um Estado Terrorista, tínhamos tortura, tínhamos mulheres que tinham os mamilos arrancados, homens violados com bastões, mulheres estupradas na frente de seus maridos, mulheres que expulsavam fetos durante sessões de tortura e mais um milhão de coisinhas bem singelas. Tudo isso, claro, sob as bençãos da Santa Madre Igreja e da Boa Sociedade, a mesma Direitona que agora quer tentar voltar ao poder. Sinceramente, quando vejo pessoas chamarem aquelas que lutaram contra a ditadura de terroristas para que eu pudesse chegar aqui e escrever essas verdades, penso: Perdoe-os Pai, eles não sabem o que fazem!
Quando digo que o que falta não é educação, é informação, é porque vejo diariamente pessoas que se dizem estudadas darem um show, um espetáculo de desconhecimento histórico e uma falta de memória de conferir lucidez à um idoso com Alzheimer. Eu tinha 9 anos e me lembro muito bem da Globo mostrando Collor, o saudável, contra Lula, o barbudo, o sujo mecânico do ABC. O primeiro, filho queridinho das elites deixou o governo pela metade com direito a processos e assassinatos. O segundo, bem, no mínimo deixará um legado de fazer um certo sociólogo se consumir de inveja e despeito.
Ironicamente o voto que vai nos salvar é o do povo, o pragmático, o que pensa assim: se minha vida tá melhor, então tá bom. A elite brasileira é absolutamente patética, não deve ser à toa que Miguel Falabella não cansa de ridicularizá-la e essa, ainda mais ridícula, ri de si própria sem se dar conta. É praticamente uma peça de Molière. Não tem o dinheiro que queria ter, logo é infeliz, odeia o pobre, mas não é rica. O mais engraçado: assina Veja, assiste Globo, lê Folha e acha que se informa. De repente descubro que a grande massa de manobra, a grande manada imbecilizada da população é a elite, o pobre só é pragmático.
Bom, sendo assim de forma alguma essa imbecilidade, essa disposição às manobras dos clãs golpistas pode ser explicada pela falta de instrução formal, mas sim, pela desinformação absoluta. Pela desinformação que deglutem todos os dias por preferirem comprar um iPhone ou um Chanel ao invés de montar uma biblioteca decente e ir ter com os grandes pensadores. A elite não lê Rousseau, Voltaire e Diderot, por exemplo, para saber o que é a luta pelos direitos do ser humano, pela subsistência e o grande NÃO que, já no século XVIII, foi dito ao Estado-Igreja. Não é de se estranhar que ela engula e apóie de bom grado essa palhaçada de Estado-Religião que tentam re-editar aqui no Brasil. Isso mais de 200 anos depois de os ilustres acima terem, com o poder da palavra, ajudado a reduzi-lo ao pó na Europa da pré Revolução Francesa.
Essa elite é cega, por exemplo, por não perceber que ela só não quebrou na última crise porque seu objeto de nojo e parâmetro para se sentir superior, os pobres, alavancaram o consumo que nos salvou da bancarrota. Essa elite higiênica odeia, não aceita e junto com Globo-Veja-Folha esperneia e lamenta que tudo tenha dado certo. Não aceita jamais e se possível quererá apagar dos livros de história esse péssimo exemplo a ser seguido.
Nossa elite é absolutamente analfabeta quando se trata de discutir afundo qualquer coisa que não tenha sido dita e pré-digerida pelos paladinos da imprensa golpista. Nunca leram Brasil Nunca Mais, nunca passaram perto de Gilberto Freire ou Darcy Ribeiro. Para mostrar erudição, entra na primeira livraria e compra o primeiro livro do tipo: como ficar rico em cinco minutos, ou: 10 coisas que você precisa fazer para ficar milionário ou ainda: uma brilhante narrativa sobre o cotidiano Afegão, O Caçador de Pipas. Sem esquecer os de auto-ajuda de onde se insurgem em orgulhosos leitores seguidores da lista dos Best-Sellers do New York Times.
O cérebro da nossa elite é atrofiado, a maioria nem adianta conversar, virou religião, a santíssima trindade Deus Pai – GLOBO, Deus Filho – VEJA e Deus Espírito Santo – FOLHA, eis o grande dogma que os imbeciliza.
Conversando com amigos, professores e pessoas que dedicaram suas vidas a ler mais os grandes escritores e as grandes fontes do que excrementos de informação, todos foram unânimes: o problema está longe da educação formal, antes fosse, seria muito mais simples, o problema é sim a mais absoluta ausência de informação e cultura. Tenho a impressão que essa gente leria Notícias do Planalto e sequer estabeleceria um paralelo com que vivemos hoje, um gritante Golpe de Mídia. Reproduzem frases feitas, opinam sobre um tudo sem nunca ter lido nada além do que provém desse mal nacional que é a nossa imprensa mafiosa e dissimulada. De nada adianta estudar, a maioria tem curso superior, e vai continuar por aí sem entender a diferença entre Estado Social e Socialismo ou Liberalismo Econômico e Estado Social. Nem sabem que é isso que estamos decidindo nessas eleições.
Não conseguem perceber, por exemplo, que todo pânico que a tríade da desinformação durante anos veiculou sobre Lula e o PT era infundado. Não perceberam, ainda, que não viramos um país comunista e que sim, deu certo.
Temos três tipos de leitorado, um pobre que é pragmático e que vota no Estado Social, para mim é o voto-Darwin, da Seleção Natural mesmo, votam no que lhes garante subsistência e pronto, é um voto absolutamente consciente, pois se ele come, bebe, estuda e trabalha ele vai tender a não mudar as coisas e a aprovar os rumos da política (engraçado mesmo é ver a elite chamá-los de alienados). Um segundo eleitorado é culto, não necessariamente estudado formalmente, e vota no Estado Social porque sabe que é o único caminho Constitucional e capaz de assegurar o desenvolvimento a longo prazo, aqui estão os que tem sensibilidade e compromisso com o social e com uma Nação Justa e Solidária. O terceiro eleitorado é o mais curioso, é o da patética elite golpista que se julga a mais bem informada. É de longe a mais mal informada, são infectados pela tríade de pestes de VEJA-FOLHA-GLOBO e vão morrer jurando clarividência e discernimento.  Sua cegueira é tanta que são incapazes de refletir o porquê de Chico Buarque, Marilena Chauí e Oscar Niemayer apoiarem o Estado Social de Dilma e Lula e jamais terem se juntado à corja golpista e entreguista do PSDB. Provavelmente devem pensar que se trata de três pobres almas petistas e imbecis.
É exigir demais dessas pessoas que entendam que todos os países do mundo verdadeiramente democráticos tiveram que elevar a posição social das pessoas através de um Estado Forte, antes de partirem para o Estado Mínimo Liberal. Elas sequer aprendem com a crise que acabamos de passar !!! Estive na França recentemente e os Frances se horrorizavam diante do fato de que alguns hospitais estaduais estivessem funcionando com parte do atendimento privado. O Barack Obama, por exemplo, trava uma luta ferrenha para conseguir criar uma rede de saúde pública nos Estados Unidos, ou seja o modelo Liberal e Neoliberal do Estado Mínimo e fraco não tem dado certo e muitos países estão tentando encontrar um equilíbrio que é exatamente o que está sendo feito no Brasil hoje. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Não enxergam que estamos no rumo certo e que o caminho traçado não pode ser mudado. A ouvir a voz afirmativa e cheia de empáfia da elite até a Lei da Gravitação Universal deve ser da alcunha de FHC e não de Isaac Newton. Não percebem que suas supostas doutas opiniões só servem para a manutenção de interesses mafiosos de clãs aos quais só interessa a desinformação.  E o melhor de tudo: se acha informada, inteligente e superior ao pobre porque consome a Santíssima Trindade da Informação e também se acha Cristã, porque vai aos cultos e missas dominicais, e é contra o aborto e os homossexuais. Sim, enfrentam a existência, querem aniquilar a realidade.
A Direitona, sempre paladina da moral e dos bons costumes, nos custou os mais caros assaltos à liberdade, ao livre pensamento, à vida e à dignidade humana. Onde ela pisa não cresce mato. Exemplos?  Posso encher uma página. Mas vamos com alguns que me vem de modo mais fácil à memória. A Igreja Católica, através da Opus Dei, apoiou a ditadura militar Chilena durante o Cristiano Governo de Pinochet, às mães da ditadura resta chorar por seus mortos insepulcros. A mesma Direitona Católica, cheia de benesses e Cristandade fechou os olhos para o holocausto. A Boa Sociedade Brasileira marchou em nome dos princípios da Cristandade e entregou o poder aos Generais Terroristas que estupravam, matavam, torturavam e rezavam. Sob a insígnia da cruz, Pissaro dizimou civilizações pré-colombianas inteiras e Catarina de Médicis ordenou e assitiu o massacre dos Protestantes na Noite de São Bartolomeu. Nem me atrevo a falar da Inquisição, basta imaginar as fogueiras queimando e os padres rezando, para mim melhor exemplo de cristandade não há. Essa mesma gentalha é a que hoje combate o Estado Social e seu triunfo sobre o Neoliberal no Brasil.
Essa gente nunca fez coisa que presta quando chegou ao poder e nunca fará. Nada enxerga, está à mercê e é manobrada por forças e interesses que desconhecem. E como são cheios de razão, como sabem tudo sem nunca terem lido nada que preste. Com o se informa mal e como não se lembram das lições dos livros de história e dos bons mestres que devem ter tido. Alguém aqui viu algum filósofo da monta de Marilena Chauí defender, por exemplo, a candidatura PSDBista? A Elite acha que faz parte do processo, mas é somente a via para que outros atinjam seus objetivos. GLOBO – VEJA e FOLHA que os abençoe.  Amargam arroxo salarial, desemprego, engolem um país medíocre, mas se orgulham de ter eleito um Honoris Causa e não um torneiro mecânico. O preconceito é sua marca, os dogmas de informação ou de fé, seus sustentáculos, e assim seguem pela vida: imbecilizadas e cheias de empáfia. Viva à TFP !!! Viva o Vaticano !!! Viva os Veteranos de Guerra !!! Viva os Generais de 64 !!! Abaixo aos Terroristas !!! Sim aos valores da família e aos preceitos da moral e da vida virtuosa em Cristo !!! Sempre, sempre vêm revestida dessa aura bem-costumeira.
Essa gente não é capaz de pegar uma Bíblia e tentar entender por si próprias, só deglutem aqui e ali versículos ruminados por algum “enviado” de Deus. Se elas lessem bem, se entendessem e absorvessem as palavras do próprio Cristo, com cuja cruz defendem atrocidades, veriam longos chifres ao espelho e sentiriam o odor de enxofre que espalham por onde passam.
Aos que não embarcaram nessa barca furada cabe apenas assistir o dantesco espetáculo da usurpação de mentes que se vê por todos os lados. Faz parte da vida. Depois de certo ponto os fatos do presente são apenas objetos de contemplação e análise. Nada mais. Não. A ignorância não é uma benção. É uma vida perdida e uma consciência roubada. Fico como o personagem no quadro de Goya: prefiro os pesadelos do sono da razão e quem sabe um dia terminar como Nietzsche, nascido póstumo e falecer louco, abraçado a um cavalo, mas nunca, jamais perder a dignidade de ter sido livre.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

TEXTO RESPOSTA DO LEONARDO BOFF

MAIS ABAIXO VOCÊS VERÃO, OU TALVEZ JÁ LERAM, A CARTA ABERTA QUE ESCREVI AO LEONARDO BOFF, UM DOS INTELECTUAIS DO PV - PARTIDO VERDE. ONTEM RECEBI PESSOALMENTE UM TEXTO QUE ME FOI ENVIADO EM PRIMEIRA MÃO. VEJAM AQUI O TEXTO QUE ESSE GRANDE INTELECTUAL ME ENVIOU E QUE JÁ ESTÁ DISPONÍVEL NA REDE PARTIR DE HOJE.

DESDE JÁ AGRADEÇO A ATENÇÃO DESTE GRANDE PENSADOR.

RESPOSTA E TEXTO ASSIM COMO RECEBI:
Estou enviando artigo para a semana entrante, entrando nos méritos da eleição presidencial.
Um abraço
Lboff

Dilma: garantir conquistas e consolidar avançosO Brasil já deixou de “estar deitado eternamente em berço esplêndido”. Nos últimos anos, particularmente sob a administração do Presidente Lula, conheceu transformações inéditas em nossa história. Elas se derivaram de um projeto político que decide colocar a nação acima do mercado, que concede centralidade ao social-popular, conseguindo integrar milhões e milhões de pessoas, antes condenadas à exclusão e a morrer antes do tempo. Apesar dos constrangimentos que teve que assumir da macroeconomia neoliberal, não se submeteu aos ditames vindos do FMI, do Banco Mundial e de outras instâncias que comandam o curso da globalização econômica. Abriu um caminho próprio, tão sustentável que enfrentou com sucesso a profunda crise econômico-financeira que dizimou as economias centrais e que devido à escassez crescente de bens e serviços naturais e ao aquecimento global está pondo em xeque a própria reprodução do sistema do capital.

O governo Lula realizou a revolução brasileira no sentido de Caio Prado Jr. no seu clássico A Revolução Brasileira (1966):”Transformações capazes de reestruturarem a vida de um pais de maneira consentânea com suas necessidades mais gerais e profundas, e as aspirações da grande massa de sua população…algo que leve a vida do país por um novo rumo". As transformações ocorreram, as necessidades mais gerais de comer, morar, trabalhar, estudar e ter luz e saúde foram, em grande parte, realizadas. Rasgou-se um novo rumo ao nosso pais, rumo que confere dignidade sempre negada às grandes maiorias. Lula nunca traiu sua promessa de erradicar a fome e de colocar o acento no social. Sua ação foi tão impactante que foi considerado uma das grandes lideranças mundiais.

Esse inestimável legado não pode ser posto em risco. Apesar dos erros e desvios ocorridos durante seu governo, que importa reconhecer, corrigir e punir, as transformações devem ser consolidadas e completadas. Esse é o significado maior da vitória da candidata Dilma que é portadora das qualidades necessárias para esse “fazimento”continuado do novo Brasil.

Para isso é importante derrotar o candidato da oposição José Serra. Ele representa outro projeto de Brasil que vem do passado, se reveste de belas palavras e de propostas ilusórias mas que fundamentalmente é neoliberal e não-popular e que se propõe privatizar e debilitar o Estado para permitir  atuação livre do capital privado nacional, articulado com o mundial.

Os ideólogos do PSDB que sustentam Serra consideram como  irreversível o processo de globalização pela via do mercado, apesar de estar em crise. Dizem, nele devemos nos  inserir, mesmo que seja de forma subalterna. Caso contrário, pensam eles, seremos condenados à irrelevância histórica. Isso aparece claramente quando Serra aborda a política externa. Explicitamente se alinha às potências centrais, imperialistas e militaristas que persistem no uso da violência para resolver os problemas mundiais, ridicularizando o intento do Presidente Lula  de fundar uma nova diplomacia baseada no dialogo e na negociação sincera na base do ganha-ganha.

 O destino do Brasil, dentro desta opção,  está mais pendente das megaforças que controlam o mercado mundial do que das decisões políticas  dos brasileiros. A autonomia do Brasil  com um projeto próprio de nação, que pode ajudar a humanidade, atribulada por tantos riscos, a encontrar um novo rumo salvador, está totalmente ausente em seu discurso.

Esse projeto neoliberal, triunfante nos 8 anos sob Fernando Henrique Cardoso, realizou feitos importantes, especialmente, na estabilização econômica. Mas fez políticas pobres para os pobre e ricas para os ricos.  As políticas sociais não passavam de migalhas. Os portadores do projeto neoliberal são setores ligados ao agronegócio de exportação, as elites econômico-financeiras, modernas no estilo de vida mas conservadores no pensamento, os representantes das multinacionais, sediadas em nosso pais e as forças políticas da modernização tecnológica sem transformações sociais.

Votar em Dilma é garantir as conquistas feitas em favor das grandes maiorias e consolidar um Estado, cuja Presidenta saberá cuidar do povo, pois é da essência do feminino cuidar e proteger a vida em todas as suas formas.

LEONARDO BOFF

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

MOVIMENTO ACORDA BRASIL
CADÊ A MÍDIA QUE NÃO FALA DO PAULO PRETO QUE TERIA DESVIADO MILHÕES DE OBRAS DO GOVERNO PAULISTA PARA A CAMPANHA DE SERRA ?
CADÊ A MÍDIA QUE NÃO FALOU DO TELEFONEMA DE SERRA PARA O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PARA QUE O ELEITOR FOSSE CONFUNDIDO SOBRE QUAL DOCUMENTO LEVAR PARA VOTAR?
CADÊ A MÍDIA QUE CALOU DIANTE DO SIVAN, DA PASTA ROSA E DA COMPRA DE VOTOS DE FHC PARA A EMENDA DA REELEIÇÃO?
CADÊ A MÍDIA QUE NÃO CONTA QUE NO GOVERNO FHC DEVÍAMOS 74% DO NOSSO PIB?
CADÊ A MÍDIA QUE NÃO DENUNCIA AS LIGAÇÕES DA FAMÍLIA SERRA COM DANIEL DANTAS?
CADÊ A MÍDIA QUE NÃO MOSTRA A LIGAÇÃO DO DANIEL DANTAS COM O TUCANATO?
ESSA MÍDIA TEM PARTIDO E É GOLPISTA!
BRASILEIROS O GOLPE ESTÁ AÍ DE NOVO NA NOSSA CARA !!!
ONDE ESTÃO OS ESCÂNDALOS DO PSDB ?
PORQUE QUE EU RECEBO E-MAILS DO ESTADÃO SEM SEQUER MORAR EM SÃO PAULO OU ASSINAR O JORNAL ?????
LEMBRAM DO FILHO DO LULA E DO DEBATE DA GLOBO EM 89 ????????
PORQUE TROUXERAM O ABORTO E DEUS PARA AS ELEIÇÕES ? PORQUE SABEM QUE O BRASIL DIZ NÃO AO ENTREGUISMO, À FOME E A MISÉRIA DA POLÍTICA TUCANA !!! ELES NÃO PODEM DISCUTIR PROGRAMAS PORQUE SABEM QUE PERDEM !!!!
ESSA MÍDIA ELEGEU COLLOR, LEMBRAM ????????????????? AGORA QUEREM EMPLACAR UM SUJEITO BAIXO E INCAPAZ DE DISCUTIR UMA POLÍTICA DE PAÍS !!!
ELES SÓ GANHAM NA BAIXARIA, NA BOATARIA E NA CALÚNIA !!!
NÃO PODEMOS EMBARCAR DE NOVO NA BARCA QUE ELEGEU COLLOR.

O ESTADO SOCIAL DE DIREITO E O VERDADEIRO ABORTO



A poucos dias das eleições não conseguimos ter ainda um único debate decente aonde o que de fato interessa ao país fosse discutido: o próprio país. Absolutamente incapazes de derrubar os números expressivos do atual governo, o PSDB trouxe para as eleições temas espinhosos e que nada tem a ver com o pleito: a união civil entre pessoas de mesmo sexo e o aborto. Não custa repetir que um presidente não decide sobre essas questões e vale lembrar ao povo que aqueles que as discutirão já foram eleitos e comporão o Congresso Nacional ou estão à espera dessas supostas leis no Plenário do Supremo Tribunal Federal.
O que está em jogo é o tipo de país, a vocação política que queremos para a nossa nação nos próximos quatro anos. Não tenho pudores em dizer que a nossa eleição é sim plebiscitária o que temos que decidir é de fato se queremos continuar com o atual modelo que prioriza o Estado Social de Direito ou o antigo e derrotado modelo do neoliberalismo do Estado Mínimo tucano que nos massacrou por oito anos.
Cabe rapidamente uma reflexão sobre Estado Social de Direito. Nenhum país de primeiro mundo, notadamente os Europeus, partiu para um modelo puramente liberal e de capitalismo agressivo sem que antes suas populações conquistassem direitos básicos de sobrevivência e dignidade. Antes de se tornarem países fortes e se lançarem no liberalismo econômico, um Estado Social mais forte ainda lhes garantiu direitos que há pouquíssimo tempo começamos a conquistar por aqui. Em países como a França, por exemplo, tais direitos são tão sagrados que podemos ver que o governo francês encontra hoje séria resistência em aumentar dois anos na idade mínima para a aposentadoria naquele país. São países que hoje são ricos, mas que experimentaram fome, miséria, desrespeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, ou seja, já foram Brasis.
Segundo Dirley da Cunha Júnior “Os direitos fundamentais são aquelas posições jurídicas que credenciam o indivíduo a exigir do Estado uma postura ativa, no sentido de que este coloque à disposição daquele, prestações de natureza jurídica ou material, consideradas necessárias para implementar as condições fáticas que permitam o efetivo exercício das liberdades fundamentais e que possibilitam realizar a igualação de situações desiguais, proporcionando melhor condição de vida aos desprovidos de recursos materiais.” Ainda neste âmbito queria trazer ao conhecimento dos brasileiros uma parte de um texto muito importante chamado Constituição Federal, transcrevo aqui parte do Artigo Terceiro de nossa Lei Maior:
Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
          I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária.
          II – Garantir o desenvolvimento nacional
          III – Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
Sem mais delongas vou ao cerne da questão: o projeto neoliberal que nos foi colocado goela abaixo por oito anos, que sucateou nossas universidades, massacrou nosso povo, privatizou e entregou nossas riquezas, nos fez devedores do capitalismo internacional e aumentou nossa dívida externa de 38 para 74% de nosso PIB em apenas oito anos foi INCONSTITUCIONAL. O Projeto entreguista e anti-povo do PSDB é inconstitucional e deveria sofrer vedação constitucional em seu nascedouro. Na ausência de tal mecanismo deve sofrer veto nas urnas. Ele feriu e pode continuar ferindo a nossa constituição e não podemos permitir esse assalto novamente.
Ao contrário do que muitos pensam, os projetos sociais do governo não são benesses que o estado oferta de bom grado aos pobres de nosso país, são acima de tudo um puro e simples cumprimento de nossa constituição. Pela primeira vez em nossa história essa página não foi saltada e a lei foi cumprida. Depois, ao PSDB, resta somente reclamar da popularidade do presidente e ruminar a própria incompetência. Para boa parte de nossa sociedade classista e preconceituosa deve ser um acinte ter que pagar salários mais altos, ver pessoas mais humildes freqüentando os mesmos shoppings ou comprando os mesmos celulares, mas é este o objetivo de nossa nação e é isto que prega a nossa constituição. Tornar-se um país rico e desenvolvido significa, entre outros, abrir mão de se ter empregadas, babás ou lavadores de carros. Significa deixar no passado o troncos e os chicotes da escravidão.
Não é de se estranhar que nossa elite golpista rechace esta idéia. Há de se lembrar também que coisa difícil de engolir para essa gente é que não quebramos, não viramos uma república socialista, não foram mudadas as cores da bandeira nacional enfim, os medos de Regina Duarte não foram concretizados. Medo, sempre o medo, entra eleição sai eleição, na mais absoluta ausência de um plano de governo altivo e decente, o PSDB tenta, de novo, a tática do medo. Só que agora a escuridão e a irresponsabilidade tucanas não tiveram pudores em canalizar o preconceito e o fundamentalismo religioso e tentar transformar essa chaga em capital eleitoral. Querem nos transformar no país do preconceito e da intolerância religiosa, coisa que não somos, coisa que não é a nossa vocação.
De forma alguma quero aqui isentar o atual governo dos eventuais tropeços, mas que governo não os tem? O que importa é o balanço e qualquer um é capaz de enxergar, com um mínimo de memória histórica e informação, que o nosso país tem mudado radicalmente para melhor. Precisamos sim ser pragmáticos em nosso julgamento. Precisamos julgar e decidir entre dois modelos de governo: um falido e enterrado e outro que tem dado bons frutos. Os resultados de uma política social sólida e pesada, que aumentou a classe média e tirou tantos da pobreza foi um dos sustentáculos que nos permitiu escapar da crise econômica mundial. Não há como negar que foram gerados quase 15 milhões de emprego enquanto o sistema neoliberal gerava pífios 5 milhões, amargamos taxas medonhas de desemprego e muitas pessoas e pequenas empresas quebraram. Hoje, aumentamos consideravelmente o PIB per capita e tivemos a maior ascensão social de nossa história. Me parece demente querer mudar, por enquanto, o rumo que as coisas tomaram.
Na França esta semana está circulando um especial do jornal LeMonde intitulado: Brésil, un géant s’impose – Brasil um gigante se impõe. Esse gigante não é Neoliberal, não é fruto do continuísmo, do entreguismo e do fracasso social de FHC e do PSDB, esse gigante é fruto sim de uma política que priorizou o Estado Social de Direito. Nosso país e nossas políticas são aplaudidos mundo afora por órgãos como a ONU e a UNICEF e pelos mais diversos países. Essa respeitabilidade e esta grandeza não foi o PSDB que nos proporcionou. O PSDB não tem uma política de Brasil e, na incapacidade completa de rebater os números e o sucesso de nossa política atual, chamou Deus e o Aborto para tentar ganhar as eleições na sujeira, na baixaria e na escuridão.
Precisamos levar a cabo a construção do Estado Social de Direito, precisamos enraizar a classe média emergente e ninguém percebe que é este o verdadeiro cerne do atual debate, ou pelo menos deveria ser, caso o PSDB deixasse Deus para as Igrejas, o Aborto para o Congresso e debatesse suas propostas de Brasil. O problema é que elas ou não existem ou são falidas. Não podemos deixar que os canais de mídia e os clãs golpistas que os controlam emperrarem o grande Brasil que estamos vendo nascer. O verdadeiro aborto em jogo nessas eleições é o aborto do Projeto de um Brasil Gigante e Solidário que começa dar os primeiros passos em direção a um futuro digno da grandeza, da alegria e da generosidade de seu povo.
Não voto somente em Dilma e no PT, voto em um projeto de Estado Social que tem funcionado muito bem para todos os brasileiros, pobres ou ricos. Voto em uma nação solidária e não quero ver meu país abortado no infértil berço do neoliberalismo tucano.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ABORTO E ELEIÇÕES 2010 - DA HIPROCRISIA AO OPORTUNISMO ELEITOREIRO


Não posso deixar de fazer esse trocadilho infame. Mas o grande, o verdadeiro aborto que deveria ser julgado se somos contra ou a favor é o aborto do Brasil Desenvolvimentista, da Geração de Empregos e da Justiça Social que as forças de extrema direita religiosas decidiram apoiar. Igreja é atraso e retrocesso científico e mental. A ouvir a Igreja, a Terra seria quadrada, se não mais na forma, o seria na mentalidade, a insulina recombinante obra do demônio e devolver os movimentos a paralíticos através das células troco, um pecado.  Caso a extrema direita raivosa e ressentida de suas tetas seculares ganhe força, abortaremos não um feto, mas um Brasil que é aplaudido mundo afora e eleogiado pelas grandes potências, através de seus presidentes e canais de mídia que não são mafiosos como os daqui. Nossos rumos no combate à pobreza e nossas políticas sociais e mesmo econômicas são motivo de aplausos para organizações como ONU e UNICEF. Trevosas, satânicas e medievais são as forças que apóiam a candidatura de José Serra. Acima a lista de pessoas que, segundo os novos sustentáculos medievais do PSDB, devem ir parar na cadeia. A fonte é absurdamente irônica, essas mulheres estão estampadas na primeira capa da paladina gopista número um, a VEJA. Dilma é contra o aborto, mas é sobretudo contra tratar essas mulheres como criminosas. Só isso que a massa religiosa enlouquecida parece não ter entendido. E aí ? Hebe Camargo, Cissa Guimarães, Elba Ramalho, Marília Gabriela, Ruth Escobar e tantas outras? Vão ficar caladas ou vão denunciar o oportunismo eleitoreiro e o anti-debate da Teocracia Puritana Tucana ? Vão preferir um daqueles uniformes listrados ou laranjados de nossos finíssimos presídios ? Vocês têm voz e neurônios, são exemplos de competência e inteligência, admiradas por todos nós homens e mulheres e representam a fina flor das mulheres desse país. Ajude-nos a salvar as eleições, ou pelo menos o debate democrático que foi para as cucuias, para que possamos discutir o que realmente importa: O PAÍS.

NÃO TEM MAIS ELEIÇÃO. ACABOU.

Não sobrou espaço para a democracia em nossas eleições. Pode parecer ingênuo e pueril, mas não acreditava mais que reviveríamos baixarias como a de 1989 que elegeu Collor. O PSDB deflagrou o vale-tudo eleitoral e a baixaria eleitoral que, segundo Ciro Gomes, é marca registrada e patenteada de José Serra em campanha. Só que atrás dessa onda, que presta um enorme desfavor aos intelectos frágeis de nosso povo, está o pelotão de frente da mídia mafiosa nacional. Os Cavaleiros do Apocalipse de VEJA – FOLHA – GLOBO, sempre de olho em seus interesses econômicos, passam feito um trator em cima do debate democrático.
Acho que os jornalistas de VEJA, por exemplo, precisam de umas aulas de português e interpretação de textos para entenderem que as duas frases que Dilma falou sobre o aborto querem dizer exatamente a mesma coisa: Ela é contra o aborto, mas também é contra a criminalização das mulheres que o cometeram.  Faremos o que? Evitaremos com políticas educacionais que a gravidez indesejada ocorra ou construiremos uns 2000 presídios femininos para prender essas mulheres desesperadas? Vamos mandar para a cadeia mulheres que recorreram ao aborto por desespero, medo dos pais, da família, ou por não terem condições de criar um filho? Trataremos com a jaula um problema que tem que ser tratado com a mudança de mentalidade, na vivência de uma sexualidade saudável e responsável? Faremos isso com nossas mulheres? Se fizermos isso perderemos muitas mães, tias avós, atrizes, cantoras e também milhares de desconhecidas que por medo ou desespero optaram por essa prática que acima de tudo é uma violência física e psicológica contra a própria mulher.
Que diabos isso tem a ver com eleição? O que se vê é um mar de boataria, inverdades, manipulação da opinião pública que ainda não percebeu que vamos eleger um presidente e não uma Rainha de Sabá ou um Aiatolá. Será que ninguém entendeu ainda que quem decide e decidirá sobre esta questão serão 1 – O CONGRESSO NACIONAL 2- O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ??? Ao presidente cabe sancionar o que for decidido mesmo sendo ele contra ou a favor. É muito oportunismo eleitoral e muita gente mal informada, inclusive, sobre como são feitas as leis em nosso país.
Temos direito ao pacote completo nessas eleições: aborto, extrema direita higiênica e anti-povo, Tradição Família e Propriedade, Extrema Direita Católica, Padres Irresponsáveis e Pastores Evangélicos, tudo isso no seio do preconceito, da visão anti-científica, anti-humanista, classista e absolutamente ANTI-CRISTÃ. É o mais pernicioso oportunismo político que poderia se pensar em construir. É de sair correndo mesmo.
O PSDB não ganha eleição nem para síndico de prédio se for para ser no mérito ou no debate franco, e eles sabem disso, por isso eles tentam ganhar a qualquer preço, no anti-debate, na boataria, na mentira, na baixaria, no lodo. Fogem da discussão de Brasil porque sabem que perdem feio. O problema é que padres católicos e pastores medievais descobriram o filão e apóiam a palhaçada. Se Serra vencer ele não terá nenhuma legitimidade para ser presidente. O que terá ganhado, o grande vencedor das eleições não será seu suposto projeto de Brasil, mas o MEDO. O MEDO será presidente. O mais absoluto e falso MEDO. O “Medo Regina Duarte” que temia que o Lula fosse quebrar o Brasil e mudar as cores da Bandeira Nacional. Tudo no PSDB é farsa, factóide, preconceito, anti-povo e manipulação pelo MEDO.
Temos a eleição mais obscura e mais suja de nossa história. Tudo foi invertido. Defender-se no Brasil do Aiatolá Serra virou agressão. Calúnia, difamação e mentira viraram virtudes. Saímos do debate democrático para o teocrático. É a perfeita assinatura da certidão de nascimento de Deus.
De fato Deus é brasileiro. Possui inclusive título de eleitor e documento com foto. Pode e vai votar.  É a favor da gravidez de mulheres estupradas e contra a união de pessoas que se amam. Deus vota esse ano. O Deus inquisidor, o vingativo o que tem nojo de gente pobre e odeia distribuição de renda e ascensão social. O Deus do PSDB e de suas forças anti-povo. O Deus do retrocesso social e do pensamento medieval.  Não o meu Deus, mas o de Serra o da TFP, da Opus Dei e dos extremistas religiosos. Não se trata mais de ganhar uma eleição. Trata-se de destruir a Teocracia nascente e a visão de um país de medo e ódio que o PSDB, como última arma, tenta inventar. Não somos um país de ódio. Não somos um povo intolerante. Somos admirados no mundo inteiro pela nossa alegria e boa convivência. Isso não pode ir por água abaixo por causa de uma eleição para presidente. Não podemos deixar que o PSBD esmague nossas mais belas virtudes por serem incapazes de ganhar na luta limpa e na arena do debate democrático.  Isso não pode ser roubado de nós para ser transformado em capital eleitoral. Não à Teocracia e ao Estado Religião, onde só perdura ódio e preconceito. Esse se tornou o grande NÃO dessas eleições.
NÃO SOMOS O PAÍS DO ÓDIO E DA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA SOMOS UM ESTADO LAICO E ISSO NÃO PODE SER TIRADO DE NÓS.